terça-feira, 3 de março de 2009

Chegou a hora!


















Não foi nenhum filme de ficção, não senhor! Os protagonistas não são manequins articulados, mas sim, militares portugueses que receberam a "Ordem de Serviço!" tendente a desencadear os preparativos de regresso a Lisboa.
Foi neste ambiente de
azáfama mas de muita alegria que, a Sul do Equador, a missão do Batalhão de Caçadores 114 se prepara para voltar a casa. Pelos gestos e expressões dos militares, pelo esfregar as mãos de contentes, até os olhos se riam!... (Mais fazia lembrar o cinema primitivo a que hoje chamamos "mudo", e em que tudo compreendíamos sem nada ouvir!).
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Em meados do mês de Junho de 1963, a Companhia de Caçadores 115, iniciou a rendição dos pelotões destacados em Lumbala e Caianda, tendo concentrado em Cazombo.

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Os episódios ocorridos e o facto de nos termos encontrado cara a cara com o pior dos cenários no Norte de Angola, ficaram na memória e nos ouvidos destes jovens (todos tínhamos 20 anos! como disse o Furriel San Bento. Nasci, quando tu nasceste! Mais dia menos dia! Mais mês, menos mês! Sofremos as mesmas vicissitudes!), os quais marcaram de um modo indelével todo o percurso por terras de Angola.
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O dia de zarpar, do Lobito para Lisboa, aproximava-se; estava mesmo ali ao virar da esquina de arame farpado do aquartelamento, situado na Gafaria - Cazombo.

Toda aquela região, das batucadas, das cantigas e danças desvairadas (freneticamente dançadas) e das fogueiras incendiando as noites de cacimbo (à volta das fogueiras, o batuque roda), iria ficar para trás, inclusive, o óptimo trabalho que a "115" realizou, nomeadamente em Lumbala, onde foi criada uma Escola que, partindo do 0 (zero), chegou a ter 84 alunos. Aqui o saudoso 1º. Cabo Agostinho Bolrão teve um papel preponderante. Orientado pelo seu Comandante de Pelotão, Alferes Nobre de Campos, ensinou as crianças a ler, a escrever, a praticar exercíco de ginástica correctamente e ainda a conviver. Estabeleceu-se, em toda a zona do Cazombo, uma óptima empatia entre os militares e a população civil que era, sem margem de dúvida, de boa índole. (Para não esquecer!!!).
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A denominada "massagem africana" em cima do "burro do mato" - Unimog, iria acabar dentro em breve.
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Colocado o pé direito (É milenar a crença de se atribuir ao pé esquerdo os aborrecimentos que venham a ocorrer durante o dia. Tal crença liga-se à ideia de que o lado direito é o lado bom, forte, ou seja "direito") no estribo da viatura, lá vai a Companh
ia iniciar o seu percurso de regresso com o inevitável "adeus Cazombo; até sempre!" em direcção a Teixeira de Sousa. (da antiga "Teixeira de Sousa", hoje Luau, tenho boas recordações, devido ao facto de ter sido no Liceu desta vila que completei a Secção de Letras do antigo 5º. Ano).
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De referir ainda que, à passagem da coluna militar pelos "Kimbos", irrompia dum lado e do outro uma saudação frenética de "lu-lu-lu" e palmas onde mulheres e homens, nomeadamente as mulheres, martelando a boca com a mão aberta, gritavam "Vurié! Vurié!...".
Afinal, a guerra não
é só o repositório de acções violentas!
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Léua



















Caçadores do Léua, no exercício da caça, na anhara da Cameia
















Chitas - Nas "chanas", onde há antílopes, há felídios
























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Quem não se lembra daquele espectacular panorama, visto do comboio, onde as grandes manadas (largas centenas em cada manada) de antílopes e bovídios, indiferentes à passagem diária de comboios, comiam o capim tenro da anhara?
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"O último troço da linha dos CFB, entre vila Luso e a fronteira do Congo Belga, foi assente sem brita. Esta foi colocada posteriormente, durante muito tempo. Foram também abertas em ambos os lados da mesma, valas de dois metros de profundidade e três metros de largura, para a isolarem durante a época das chuvas. Todos estes trabalhos foram executados com mão-de-obra local.
(O Caçador de Brumas: Tchizanda - A Rainha dos Luenas )".

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A anhara da Cameia tem uns trezentos quilómetros de comprimento. Por aqui, neste ponto da selva de mato rasteiro (capim ralo), de chão arenoso, lembra uma seara na época em que se faz a monda no nosso Alentejo.O cacimbo aparece durante a estação seca, e, quando o terreno seca. Após as grandes bátegas de água, um capim tenro, irrompe do chão que foi lago (est
es misteriosos e extensos lagos, são cruzados por barquitos de fundo chato). Ciclicamente a anhara ou chana, torna-se num prado. Enfim, esta região tem paisagens belíssimas, rios deslumbrantes, flora e fauna riquíssimas e pessoas simples e simpáticas com costumes e crenças fascinantes.
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Léua situa-se a 62 quilómetros a Leste do Luso (Agora Luena).
Não obstante a "115" ter permanecido apenas cerca de 2 seman
as nesta localidade, deu ainda para conviver com Eduardo Francisco Narciso Júnior, funcionário da Junta local e com o seu filho José Carlos da Mota Narciso, filho e neto, respectivamente, de um velho alentejano que na altura tinha a bonita idade de 90 anos, natural de Almodôvar que foi para Angola, como militar, numa expedição de um contingente português no início do século XX.
Ainda no Léua, o comerciante José Coelho da Costa Segadães, convidou-me para uma "churrascada" que teve lugar no anexo ao seu estabelecimento comercial. Éramos uns quatro ou cinco militares, entre os quais, o 1º. Cabo, Júlio José Lampreia do Nascimento, natural da localidade do pai do Narciso Júnior. Costuma dizer-se que não há bela sem senão!... Enquanto assávamos os frangos "cassumbis", passei por debaixo de uma árvore (uma frondosa mangueira) ali existente, toquei numa grande concha culinária de 1/4 de litro, que se encontrava dependurada num ramo da dita árvore e entornei, sobre a camisa da farda, o óleo de palma que esta continha. Com as peças de fardamento já emaladas para seguir viagem no dia seguinte, foi complicado! Um colega, mais previdente do que eu, emprestou-me a sua camisa de reserva. A este gesto chamo: Camaradagem!
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Luso (Luena)























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É a capital do distrito do Moxico. Tem uma área de 223.023 Km2.
O Luso foi o local de concentração das 4 Companhias do Batalhão: A CCS - Luso; a 115 - Cazombo; a 116 - Teixeira de Sousa e a 117 - Gago Coutinho. Para a 115 , foi uma breve paragem do comboio naquela estação ferroviária.
Nesta airosa cidade do planalto, o traçado das ruas é fantástico! Sinal inequívoco de que por ali terão passado bons arquitectos (Curiosidades: Internet - Os Luenas - Mensagens em PPS -, refere: Segundo o Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, nº. 9-10, Série 47º., de Setembro - Outubro de 1929, a luz eléctrica foi inaugurada dia 09, à noite... Ruas largas e bem alinhadas; a vila tem uma disposição verdadeiramente ampla e moderna. Tudo foi construído durante a gerência de D. António de Almeida, Governador do
Moxico, que nove anos antes ali encontrara três palhotas...").
Pelo menos um ex-camarada do "114", ficou voluntariamente por aquelas paragens, onde se radicou, tendo ali permanecido até ao dia da independência de Angola. (Curiosamente na década de "90" cruzei-me com ele nos corredores do Ministério das Finanças - Lisboa. Reconheci-o e disse-lhe:
- Éh pá! Como tens passado?
Ele virou-se para mim e, disse: - Bom dia, senhor Secretário-Geral !!!
Pelo facto dele não me ter reconhe
cido, virei-me para ele e disse-lhe:
- A mim podes tratar-me por tu, como eu te estou a tratar a ti. Fui do Batalhão 114!
Moral da história: Abraçamo-nos mutuamente; "Tu cá, tu lá" ; Tivemos ainda tempo para uma troca de impressões e, obviamente, para rirmos um pouco. Ele, na altura, era motorista de uma entidade pertencente àquele Ministério).

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Nova Lisboa (Huambo)
Na viagem de regresso fizemos uma paragem breve nesta cidade do planalto.
A cidade de Huambo foi criada em
08Ago1912. Em 1928, passou a chamar-se Nova Lisboa e até à data da independência de Angola, em 1975, foi-lhe restituído o nome de Huambo (Consta que foi fundada pelo rei Wambo Kalunga). Era considerada como a maior, e de maiores potencialidades, a seguir a Luanda.
Diz-se também que Huambo é hoje a sombra de uma cidade fantasma. A destruição é tão profunda (devido ao conflito pós eleitoral de 1992), que as autoridades locais nem sequer sabem por onde começar a reabilitação.
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Lobito














O Batalhão 114, chegou ao Lobito na madrugada do dia 02Jul. Para lá, no sentido Lobito - Luau, foi sempre a subir através da savana até ao planalto e foram necessárias duas potentes máquinas para puxar o comboio. Porém, bastou uma máquina para rebocar o comboio no sentido inverso.
No porto do Lobito, encontrava-se o N/M Vera Cruz, que nos levaria até Lisboa.
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A cidade tem cerca de 107.560.000 m2 de área e actualmente tem uma população superior a 150.000 habitantes. Nesta cidade e nos seus arredores, existem lugares de rara beleza, de onde se destacam os miradouros da Quileva da Bela Vista ou do Forte de Catumbela.

A cidade do Lobito é considerada como sendo uma das mais lindas da Costa Africana.
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Às 17h00 do dia 03Jul1963, com o Batalhão de Caçadores a bordo, largou do Lobito o "Vera Cruz" com destino a Lisboa.
Entretanto fez a sua pri
meira paragem em Luanda.
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Luanda
Se bem me lembro, no dia 05Jul, o navio atracou em Luanda, cidade linda, onde o calor aperta e a transição é repentina da luz do dia para a escuridão da noite, com ausência de crepúsculo.
O "Vera Cruz" recebeu mais passageiros militares e, a 06, soltou as amarras e zarpou de Luanda rumo a Lisboa. Foi o adeus à Marginal. Contudo, em Luanda, também ficaram alguns elementos do "114".
".................

Por todos, e por tudo,
Eu te saúdo, Angola, eu te saúdo"!

Geraldo Bessa Vitor
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Porém já alguns Sóis eram passados...
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"Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas,
Tethys e a Ilha angélica pintada,
Outra cousa não é que as deleitosas
Honras que a vida fazem sublimada.
Aquelas preminencias gloriosas,
Os triunfos, a fronte coroada
De palma e louro, a glória e maravilha:
Estes são os deleites desta Ilha."

(Camões - Os Lusíadas - IX , 89)

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Ilha da Madeira























Na viagem, o navio, atracou no porto do Funchal, onde chegamos de manhã; permanecemos ali cerca de 12 horas, para desembarcar uma Companhia de uma Unidade Militar local, que terminara também a sua "Comissão de Serviço".
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Este porto situa-se numa ampla baía de águas profundas. O clima é suave e húmido que fomenta uma rica cobertura de vegetação.
A passagem por esta Ilha deu para perceber que na Região já existia o embrião do desenvolvimento de um turismo de massas e que se destacava na ilha a produção e comercialização do vime, artesanato de vime e de bordados e a floricultura. Foi interessante ver as vendedoras de flores em trajes tradicionais e os famosos carrinhos de verga do Monte a percorrer os 2 Km de descida do Monte ao Livramento. Não obstante o pouco tempo de permanência neste arquipélago, deu ainda para apreciar o núcleo histórico da capital que se debruça sobre o porto, com belos edifícios governamentais e mansões do século XVIII.
Se considerarmos o tamanho da Madeira, com certeza que teremos alguma dificuldade em perceber como é que esta ilha tem tanto para oferecer! Momumentos, praças e ruas históricas na sua capital - Funchal.
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"..........
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou."

(Luís de Camões - Os Lusíadas - X, 144)
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Chegada a Lisboa - Cais de Alcântara - 14Jul1963
Ao romper do dia 14Jul, o "Vera Cruz" deu entrada na barra do Tejo.
Para muitos de nós, o facto de termos chegado "vivos" a Lisboa, já foi motivo de satisfação.
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Ao encerrar um artigo que escrevi, destinado à feitura de um livro, alusivo a peripécias da guerra, disse:
"...Passados que foram (...) anos da ida da CC 115 para Angola, os sobreviventes recordam de quando em vez, e, cada qual à sua maneira, os principais episódios passados na guerra colonial.
Do meu ponto de vista, o passado de um povo não se destrói e é melhor ou pior, o alicerce do presente.
Apesar de todas as vicissitudes e de acidentes de percurso, sou apologista de que tanto os povos colonizados como os colonizadores não deverão guardar quaisquer rancores nem fomentar ódios, mas sim respeitar-se mutuamente, olhar para o futuro com esperança e fé e pugnar para que a PAZ entre os homens seja uma realidade.
Aos colegas de armas que, combatendo ao nosso lado, perderam as suas vidas presto aqui a minha comovida homenagem - Jun2001".

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Mafra
Formatura!
Palavras! Palavras! Palavras!...
Desfile!
Guia de Marcha!
e, cada qual, à "estrada do seu destino"!
(A esperança é talvez a parte melhor da vida!)
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" ..........
Povo!
No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com elas sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!
.........."

Cristalizações - O Livro de Cesário Verde (1887)
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Descolonização Portuguesa
De 1961 a 1974, os Navios Mercantes Portugueses, Vera Cruz, Niassa, Quanza, Infante D. Henrique e outros, e ainda aviões militares da FAP, andaram num vaivém a transportar militares entre Portugal e as suas antigas Colónias.
A questão colonial portuguesa, durante este período de tempo, ocupou um dos pontos centrais da vida política, determinando o destino dos movimentos e dos sistemas políticos, mas o Continente Português não conseguia competir com as restantes potências europeias, devido a factores de vária ordem.











O resultado final é o movimento militar de 25 de Abril, com a explosão popular que o acompanha e a rápida descolonização que se lhe segue. Segundo alguns historiadores, teve como desvantagem, para ambas as partes, a rapidez com que foi efectuada. Em teoria, as descolonizações são feitas, de uma forma pacífica, em que os poderes são transferidos para os quadros preparados para exercer esse poder.
Tal como as colonizações romana e árabe deixaram inúmeras marcas positivas do Norte ao Sul de Portugal, também os portugueses o fizeram em África contribuindo para o desenvolvimento dos países emergentes da descolonização portuguesa.
As operações de autonomia identitária de todos os falantes de português, as políticas mais inovadoras de um Portugal democrático alteram de maneira constante e definitiva os homens e as sociedades.
Cabe à História fornecer os elementos indispensáveis à compreensão do passado!
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Mandela, numa das suas entrevistas, disse:
"..........O passado tem de ficar no passado!;
Por muito zangados que estivermos não devemos deixar a raiva dominar! .........."
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O Professor Doutor JOSÉ HERMANO SARAIVA, disse um dia:
"deixamos de ser império, mas continuamos a ser nação"
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Camaradagem
















































Prendinhas

Alguns destes objectos foram oferecidos pelos organizadores dos almoços de confraternização, aos seus ex-camaradas de armas, a fim de assinalarem as datas e os locais dos eventos realizados.
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Nos almoços de confraternização, alguns dos ex-camaradas de armas, falam-nos, de quando em vez, do espírito de corpo da CC 115, do carácter e da camaradagem.
Ora bem!
Um dos predicados que caracteriza o espírito de corpo é a camaradagem, intimamente ligada a uma das formas do espírito militar.
A camaradagem reinou na CC 115, coexistindo, ainda hoje, entre os seus elementos independentemente dos diferentes postos, podendo afirmar-se garantidamente que camaradagem é unidade e unidade é sintoma de vida.
O carácter, por sua vez, não é mais do que um exercício da vontade. É, portanto, a força moral mais bela de que podemos dispor.
A dedicação e a entreajuda entre todos os combatentes da CC 115 fizeram nascer, sentimentos de solidariedade e de simpatia entre camaradas de armas que, do Norte ao Sul do País, dos Açores à Madeira, e ainda, de países, onde alguns velhos companheiros estão radicados, nomeadamente em França, fazem questão de comparecer, percorrendo, muitos deles, centenas de quilómetros, sensibilizando imenso os organizadores dos eventos e de todos os outros que residem a uns escassos quilómetros do local do evento.
BEM HAJAM AMIGOS!
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Locais e datas de almoços realizados
  • Gaia 23Jun1991
  • Sines 28Mai1994
  • Mafra 27Mai1995
  • Aveiro 09Jun1996
  • Fátima 27Mai2001
  • Sines 25Mai2002
  • S. Pedro do Sul 31Mai2003
  • Açores 26 a 30Mai2004
  • Lisboa 28Mai2005
  • Malveira 28Mai2006
  • Loures 31Mai2008.

Fotos de alguns eventos





























































































































































































































Fotos do meu album da tropa






















Curiosidades:
O americano George Eastman, inventor do filme em rolo, revolucionou o mercado em 1888 criando uma máquina fotográfica simples, leve e barata. Esta foi baptizada de Kodak, nome curto e fácil de ser pronunciado em qualquer língua. Ao terminar o filme, o cliente deveria levar a máquina até ao local em que a havia comprado para que ele fosse retirado. As fotos eram reveladas e entregues em 10 dias. Com o slogan "aperte o botão que nós fazemos o resto"; 90 mil máquinas kodak foram vendidas no primeiro ano.














































































































































































































































































































































































































































quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O espírito de camaradagem da CC 115



















Foto do Comandante do 1º. Pelotão da CC 115 - Alferes Miliciano Gualter Leite Freitas



O espírito de camaradagem que existiu entre oficiais, sargentos e praças da CC 115, a meu ver, foi sempre uma realidade, por ter sido bem aceite o modelo de "disciplina consentida" e não "disciplina imposta", onde os princípios fundamentais da disciplina nunca foram postos em causa.

O lema da camaradagem é unidade e unidade é sintonia de vida. A dedicação entre uns e outros fazem nascer, naturalmente, sentimentos de solidariedade e de simpatia úteis à tarefa comum. As insígnias do posto e uniforme, têm por efeito significar publicamente que todos são dignos da função que desempenham, que o seu valor é sólido e deve ser incontestado.

A permuta de fotografias, no último semestre da campanha da "115", confirma o elevado espírito de camaradagem. Por tal facto, as fotos dos velhos companheiros guardámo-las em local seguro e livre dos bolores do esquecimento e acreditamos que elas nos transmitem histórias incontáveis, únicas e simplesmente especiais, tanto assim que, durante os habituais encontros de confraternização, quase sem darmos por isso, lá estamos a mostrar mais uma ou outra fotografia, a preto e branco, ou o velho álbum, que ajuda a recriar o percurso das nossas vidas.

Sabemos de antemão que as "histórias" contadas durante os eventos, correm naturalmente o risco de se esvaírem no tempo e no esquecimento. Todavia fazem parte de um passado!


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Capelão do Bat. Caç. 114


















Foto do Alferes Capelão, Padre Carlos Mesquita

O Capelão permanecia junto do Comando do Batalhão (CCS), mas deslocava-se assiduamente em visita pastoral às Companhias Operacionais e, de vez em quando, por sua iniciativa, decidia ir connosco em missão de patrulhamento.
Homem de fé, como não podia deixar de ser. Já não me recordo se, nas suas deslocações , iria ou não armado. Contudo, duvido que soubesse utilizar a arma se se visse confrontado com o IN. A transportá-la, seria mais uma acção psicológica pessoal. Neste caso, o IN considerá-lo-ia como um simples soldado.
Este nosso Alferes Capelão, hoje Coronel, comparece a alguns dos nossos almoços de confraternização e, de um modo geral, preside ao acto litúrgico (Missa) que tem lugar antes da hora do almoço, como aconteceu por exemplo em Fátima no dia 27Mai2001, local onde o Batalhão se reuniu e confraternizou.

Dezembro de 1961 - Angola

























Comandante do 2º. Pelotão da CC 115 - Alferes Miliciano João Reis Lima Barreto
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As festividades natalícias de 1961 não existiram para a CC 115.

No mês de Dezembro de 1961, o 2º. Pelotão da "115" encontrava-se acampado na margem direita do rio Lifune, em Anapasso, precisamente no local onde a Companhia pernoitara na noite de 14/15 de Julho desse mesmo ano (vide posts deste Blog "Episódios Avulsos" e "Acampamento do rio Lifune").

Para mim, ter chegado vivo ao mês de Dezembro e sem vestígios de bala no corpo, parecia-me quase um milagre - milagre que na perspectiva religiosa, o importante não é interrogar-mo-nos quanto ao que aconteceu, mas perscrutar o sentido do mesmo - .

Relembro que, de um pelotão composto por 38 militares, no dia 15 de Julho, perderam a vida em combate 6 dos nossos camaradas e que 14 ficaram gravemente feridos. Fui um dos restantes 18 militares do pelotão a sair ileso desse violento confronto.

Nesse longínquo mês de Dezembro, em dia que já não sei precisar, o Alferes Miliciano Lima Barreto, Comandante do 2º. Pelotão, devidamente autorizado pelo Comandante de Companhia, convidou-me a mim e a mais 3 ou 4 militares a acompanhá-lo a Luanda. Ao chegarmos àquela cidade, mais parecíamos uns extraterrestres vindos de um qualquer outro planeta. Bastará referir que estivemos alguns meses sem ver sequer uma única mulher - nem preta nem branca! Curiosamente as primeiras senhoras que vimos, passado todo aquele período de tempo, foi as esposas de 4 dos Oficiais da Companhia que, entretanto, haviam chegado de Lisboa e que foram ter com os maridos ao Cacuaco.

Em Luanda, um casal familiar do Alferes Barreto obsequiou-nos com um jantar na sua residência. Durante o jantar falámos, como não podia deixar de ser, de alguns episódios ocorridos e referidos no blog. Deu para relaxar um pouco e ao mesmo tempo, para aliviar o stress e os pesadelos que continuamente nos atormentavam geridos pelo nosso subconsciente, o tal fantasma que ainda hoje persegue como uma sombra muitos dos combatentes das ex-Colónias Portuguesas. Terminado o jantar, que reconhecidamente agradecemos à família do Alferes Barreto, regressámos ao "mato". Registamos, como também não podia deixar de ser, o gesto e a camaradagem do Senhor Alferes Barreto, que nunca abandonou os seus homens, nem em combate nem em Luanda, quando o poderia eventualmente ter feito. Coisas aparentemente simples e normais mas que contribuíram grandemente para unir, para sempre, os ex-militares da CC 115, que criaram dentro de si, o espírito de camaradagem táo necessária a qualquer unidade militar, instituição que se preze ou grupo de trabalho.

Aló!... Aló!... ex-Alferes Miliciano João Reis Lima Barreto - Rua Domingos José Morais - Viana do Castelo. Um abraço fraterno do ex-1º. Cabo Radiotelegrafista Horta.