quarta-feira, 9 de abril de 2008

Composição do Batalhão 114

Entretanto na Escola Prática de Infantaria – Mafra, era preparada e formada a Companhia de Caçadores 115, tendo como Comandante o Capitão Alípio Tomé Falcão e como 2º. Comandante o Tenente Cipriano Pinto que, durante uns escassos dias, ministraram instrução ligada à táctica e técnica da guerra subversiva, a qual, dado o pouco tempo disponível, não foi muito além da preparação física, de tiro, de emboscadas, contra emboscadas, golpes de mão e de operações nocturnas.

Composição do Batalhão 114 e respectivas Unidades Mobilizadoras:
· Comando e Companhia 114
- R. I. 1 − Amadora
· Companhia de Caçadores 115
- E. P. I. − Mafra
· Companhia de Caçadores 116
- R. I. 5 − Caldas da Rainha
· Companhia de Caçadores 117
- R. I. 6 − Porto

Abril de 1961

Abr1961 − O que os Órgãos de Comunicação Social normalmente noticiavam:

“Os guerrilheiros da UPA, chefiados por Holden Roberto, que em 15 de Março de 1961, iniciaram as suas hostilidades e que sempre reclamaram a vitória da barbárie, actuavam aos gritos de UPA, UPA, mata, mata. Com catanas e canhangulos que carregavam à base de fósforos que adquiriam em grandes quantidades, desfaziam, misturavam com pólvora, enchiam os pipos dos próprios canhangulos e progrediam numa acção devastadora e a uma velocidade vertiginosa.
Neste cenário cruel, apareceram homens degolados, cabeças espetadas em estacas, mulheres esventradas com paus aguçados cravados no sexo e crianças esquartejadas ainda nos berços.
Em pouco tempo a UPA ocupa a grande parte do Norte de Angola sem a protecção da tropa local. O rasto de sangue estendia-se quase até Luanda.
Em Nambuangongo não sobreviveu ninguém e aquela zona foi passada a pente fino pela guerrilha.
Em Luanda, foram dados os primeiros passos no sentido de fazer face ao que se estava a passar, procedera-se à formação de alguns grupos de civis que se juntaram aos cerca de 1 500 efectivos militares mal preparados, para ajudar na defesa das fazendas e das vilas cercadas pelos rebeldes e na procura de sobreviventes.
Pelas picadas assistia-se a cenários de terror, de destruição de roças e de assassinatos de cerca de dois milhares de colonos.”


Perante este espectro de guerra e, ainda no último terço do mês de Abril, quando os soldados idos da Metrópole desembarcaram em Luanda, ainda havia vilas inteiras cercadas e já quase sem abastecimentos. Eram os civis que faziam a sua auto defesa. Quando o exército começou a avançar, para reocupar as zonas ocupadas, a frente era tão grande que não sabia para onde se virar; em Nambuangongo o exército só desocupou aquela área passados quase 6 meses.
Por cá contavam-nos histórias horripilantes do que estava a acontecer no Norte de Angola.

Convento e Palácio de Mafra


Anos "60/70" - Anos de Guerra



Alguém disse:
“Não éramos nós que mandávamos nas nossas vidas.
A nossa presença em … África, era marcada por razões políticas que nos ultrapassavam. Acabavam os dois anos e … fomos embora”


A expressão "Império Colonial Português" fazia-se ensinar nas escolas que era o terceiro Império do Mundo, logo depois do Império inglês e do francês.
A colonização era considerada no ideário da antiga Sociedade das Nações, devendo as nações mais civilizadas difundir "os benefícios da civilização", sobre as nações menos desenvolvidas, filosofia que só deixou de ser defendida depois da Segunda Guerra MUndial.
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Muito antes, alguém, em jeito de discurso, decretou:
“Para Angola rapidamente e em força!”



Lisboa → Évora → Tancos → Lisboa → Mafra ….. a caminho de Angola

Mafra – Monumento Nacional. O Palácio foi construído durante o reinado de D. João V.
“Mafra levou treze anos a fazer:
A média dos operários empregados em cada dia na construção da obra monta a 20000.
Para cortar a montanha que fica a sul do edifício davam-se, diariamente, 1000 tiros e gastavam-se 4000 quilos de pólvora.
O edifício tem 45000 portas e janelas, 880 salas, 2 torres de 68 metros de altura e 144 sinos, 1 zimbório e 2 torreões tão vastos que no andar de qualquer deles se aloja a família real quando vai caçar a Mafra.
As cozinhas compõem-se de sete grandes casas, a das hortaliças, a dos peixes, a da pastelaria, etc.
Na cozinha grande, forrada de azulejos, cercada de torneiras de bronze, há duas enormes chaminés destinadas a mover os caldeirões em cada um dos quais se podia cozer um boi.”
Ramalho Ortigão
História de Portugal – José Hermano Saraiva
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Desde 1834, data em que foram extintas as ordens religiosas em Portugal, ao Palácio tem-lhe sido dadas diversas aplicações.
Actualmente, ao que julgo saber, a parte do convento outrora destinada aos aposentos do rei, serve de Museu; na antiga sala dos Actores Escolares, funciona o Tribunal de Justiça da comarca; a Casa do Capítulo é aproveitada para sala de esgrima da Escola Prática de Infantaria, e noutras dependências do convento estão alojadas tropas.

No ano de 1961

Reunião do Grupo de Casablanca em Casablanca.

Um reforço tardio do orçamento, da ordem dos 900.000 contos, foi o que permitiu fazer face aos acontecimentos em Angola.

Tentativa do QG da RMA de dispor de um Serviço de Informações e de um Serviço da Acção Psicológica.

O Paquete “Santa Maria” é assaltado por um grupo encabeçado por Henrique Galvão.

Assassinato de Lumumba.

Grupos armados assaltam a esquadra da PSP em Luanda.

Nota oficiosa sobre o Caso do Paquete “Santa Maria”.

Ataques às prisões de Luanda.

Tumultos em Luanda. Proibição da entrada de jornalistas estrangeiros e nacionais em Angola.

Libéria pede reunião do Conselho de Segurança contra Portugal.

Contactos do Embaixador dos EUA com o Gen. Botelho Moniz, para liberalização da política ultramarina, que permitisse o apoio dos EUA a Portugal no debate sobre aquela política, que iria ter lugar na ONU.

O Capitão Henrique Galvão no livro África Apeaks, afirma “Nenhuma das províncias africanas portuguesas está agora em posição para receber imediatamente a independência política sem enfrentar o seguinte dilema: a volta ao barbarismo com o massacre do povo e de outras raças que aí vivem… ou a sua imediata absorção por um dos poderes que estão procurando novas posições em África.

Contactos da Embaixada dos EUA junto do Presidente do Conselho para haver uma declaração da intenção de aceitação do princípio da auto-determinação para Angola, Moçambique, etc.; ajuda económica dos EUA, como compensação, tudo isto com base no discurso pronunciado pelo Presidente do Conselho em 30 de Novembro de 1960.

O Embaixador de Portugal em Washington foi chamado ao State Departement para o mesmo efeito.

Informações veiculadas através dos S. I. dos E.U.A., classificadas de muito seguras, passadas ao Gabinete do MDN, de que o Conselho de União dos Povos de Angola (UPA), que actuava no Congo-Kinshasa, decidiu provocar incidentes violentos no Distrito do Congo, em Angola, na noite de 15 de Março, com uma duração prevista de 10 dias, para chamar a atenção da ONU onde iria realizar-se o debate. Comunicação Imediata ao QG/RMA, onde o texto é modificado e mandado arquivar pelo CEM, em exercício, com a justificação de que o assunto já era do conhecimento do Comando (!).

Almoço do Gen. Botelho Moniz e do Bem. Elbrick que tem instruções para uma firme diligência para conseguir a alteração da política portuguesa em África.

Entrevista de Salazar com Elbrick, a pedido deste, por ter uma mensagem do Presidente Kennedy.

O Conselho de Segurança (CS) da ONU inscreve na Ordem do Dia, por proposta da Libéria, a “questão de Angola”, considerando que a atitude de Portugal constitui uma ameaça à paz e à segurança mundial.

Início do debate no Conselho de Segurança.

Votação no CS que não obtém a maioria necessária. Os EUA votam pela 1ª. Vez contra Portugal.

Concretizam-se os acontecimentos anunciados no Norte de Angola.

Na noite de 15/16 de Março, 1.200 brancos e 6.000 pretos bailundos foram barbaramente assassinados.

Ida do Ministro do Ultramar a Luanda.

Reunião de All African Peoples Conference, no Cairo.

Reunião da UAM, no Yaounde.

Definida a competência dos Governadores e dos Comandantes-Chefes nas Províncias Ultramarinas, na condução da política da defesa dos respectivos territórios.

Criação em cada uma das províncias ultramarinas de um Corpo de Voluntários.

Pedido da Libéria para inclusão do caso de Angola na Assembleia Geral da ONU.

Ataques políticos contra Portugal com uma violência sem precedentes. A repercussão interna – a loucura da resistência; a perda colectiva da coragem: repercussões na FA.

Desentendimento entre o Presidente do Conselho e o Ministro da Defesa Nacional.

Carta do Ministro da Defesa Nacional ao Presidente do Conselho.

Aprovado o plano de embarque de unidades e material para Angola, pelo qual o primeiro navio partia a 19 de Abril, com 3 Batalhões de Caçadores.

A União da África do Sul retira-se da comunidade Britânica e proclama a República.

Intensificação da actividade dos altos responsáveis militares: manter ou afastar o Presidente do Conselho (princípios de Abril).

Reunião de Comandos no QG da RML, seguida de outras nas restantes Regiões Militares.

Diligência B. Moniz / A Fernandes junto do Presidente da República – proposta a demissão do Presidente do Conselho, apontando para uma nova orientação que preconizava:
· Soluções políticas dentro das linhas de força da nossa história, com o respeito possível pelo quadro constitucional, mas encaradas no contexto da prática política da época para melhor defender esse “inalienável valor cultural e económico”.
· A manutenção da orientação de que a nossa presença em África era um direito-dever.
· A descentralização administrativa e a autonomia política como bases.

Remodelação Ministerial: Prof. Salazar – MDN. General Mário Silva – Exército; Jaime Fonseca – SE Exército; Gomes de Araújo CEMGFA; Adriano Moreira – Ministro do Ultramar.

Discurso de posse do MDN em que anuncia a decisão da defesa eficaz de Angola e garantia da vida, do trabalho e da tranquilidade das populações. Andar rapidamente e em força.

Afirmação política de integridade nacional.

O Diário Popular de 14 Abril afirmava que a demora em acorrer à defesa de Angola estava a transformar em calvário o problema angolano, sobretudo no impasse da insuficiência das medidas militares.

Carta do Coronel Costa Gomes ao Diário Popular de 15 de Abril, afirmando que o problema africano não era fundamentalmente militar.

Resolução na AG/ONU, por proposta da Libéria – reformas em Angola: Transferência da totalidade dos poderes para as populações, a fim de as habilitar a uma completa independência (apoio dos EUA).

Embarque das primeiras tropas de reforço para Angola – Atrasado 3 dias em relação ao planeado.

Reunião de Ghana, Guiné e Mali, Union of American States (UAS) em ACCRA).

É organizada a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas – CONCP.

No ano de 1960

Da conferência "África e o Futuro", proferida no dia 11 de Junho de 1960 no Instituto de Altos Estudos Militares - RAZÕES DA PRESENÇA DE PORTUGAL NO ULTRAMAR, foi a seguinte:
"Só há uma resposta":
A resposta portuguesa ao desafio da actual conjuntura internacional não pode, no que toca à África, deixar de consistir na reivindicação do direito a que continuem fazendo parte de Portugal as províncias ultramarinas, que desde há séculos nele estão integradas e onde vivem portugueses de várias cores, mas com uma só bandeira.
Não devemos, porém, iludir-nos acerca das dificuldades desta posição. Ela exige, a um tempo, firmeza nas linhas essenciais da política e agilidade nos campos económico e administrativo, não só para fazer reformas como para adoptar posições tácticas convenientes e oportunas. Mas a política que tem de ser firme não é apenas a ultramarina: é a metropolitana, também. As batalhas perdem-se, muitas vezes, mais por falta de coesão das retaguardas que por desfalecimento das frentes".
Visita do Ministro da Defesa da RFA, F. Josephh Strauss, a convite do MDN General Botelho Moniz, que afirma a decisão germânica de auxiliar a política portuguesa em África.

Dag Hammarskjold, Secretário-Geral da ONU visita Portugal.

All African Peoples Conference, em Tunis.

Alteração profunda nos objectivos estratégicos nacionais coma Directiva do CEMGFA que aponta para a preparação para uma futura guerra no Ultramar face às seguintes ameaças: Guerra defensiva com os países vizinhos; guerra subversiva conduzida no interior dos territórios; e sublevação.

Arnold Toynbee vem fazer uma conferência em Lisboa e é recebido por Salazar.

Álvaro Cunhal evade-se do presídio de Peniche.

Estado de espírito preocupante nas Forças Armadas, devido ao facto de: estarem lançadas as bases para a formação das unidades para a fase pré-insurreccional e de rebelião armada no ultramar; de se concretizarem alterações fundamentais nos dispositivos da FA no ultramar, incluindo a Força Aérea, em especial em Angola e Moçambique; e se verificarem profundas alterações na instrução dos quadros, sem haver da parte do sector político o apoio, a compreensão e até o sentido da necessidade desse esforço.

Discurso de Mac Millan perante o parlamento Sul-Africano, na cidade do Cabo refere “consciência nacional africana” e o “vento de mudança”.

Nomeado Governador de Angola o Dr. Silva Tavares e Secretário de Estado da Administração Ultramarina o Prof. Adriano Moreira.

Início da resistência pacífica na RAS.

O PAC e o ANC da África do Sul são declarados ilegais.

Promulgada legislação sobre o CIOE, em Lamego.

Sukarno chega a Lisboa e, em conversa com o Presidente do Conselho, assegura que não reivindica o Timor Português.

Conferência dos Estados Africanos Independentes, em Addis-Abeba em que tomaram parte já 13 Estados.

Independência do Congo Belga.

Tchombé proclama a independência do Katanga.

É criado o Movimento de Libertação do Enclave de Cabinda – MLEC.

Reorganização do SGDN em resultado da Lei da Organização da Nação para a Guerra.

Por iniciativa exclusiva da Universidade de Lisboa, realiza-se o primeiro curso universitário de férias em Luanda e Lourenço Marques. Rumores de entendimentos B. Moniz/Craveiro Lopes para alteração de política interna em relação ao Ultramar.

Ocupação total do Sudoeste Africano pela RAS que interdita a SWAPO.

O Sudoeste Africano passa a ser designado por Namíbia pela ONU.

Definição do Território não autónomo e destes, os que estavam em poder de Portugal.
Reunião da União Africana e Malgache (UAM) em Abidjan.

É dada nova organização territorial às Forças Terrestres:
· Cinco regiões militares: Norte Centro e Sul – Angola e Moçambique e sete Comandos Territoriais Independentes: Açores, Madeira, Cabo Verde, Guiné, Estado da Índia, Macau e Timor.
· O Conselho Superior de Defesa Nacional deliberou:
. Evitar novos compromissos com a OTAN, que envolvam mais encargos financeiros;
. Manter ligações militares coma Espanha com vista à defesa Pirenaica, mas considerando-as mais como apoio e reforço da política, do que atinentes ao conceito de uma efectiva e eficaz defesa;
. Rever o plano de Defesa Interna do conjunto do Território Nacional.

A Guiné-Conacry alia-se ao PAIGC.

Discurso do Presidente do Conselho pronunciado na Assembleia Nacional em que refere: “o Governo tem espírito aberto a todas as modificações de estrutura administrativa, menos às que possam atingir a unidade da Nação e o interesse geral” que no seu contexto geral foi considerado pelos nossos aliados a “primeira vez” que o Presidente do Conselho havia referido a necessidade de evolução do Ultramar, associando essa ideia a uma progressiva autonomia.

Passividade governamental em relação ao crescer das ameaças em África.

Um pedido de reforço de 100.000 contos foi conseguido através de um empenhamento pessoal do MDN junto do Presidente do Conselho.

O Subsecretário de Estado do Exército desloca-se a Goa para ajustar com o Governador-Geral, os problemas da defesa do território. Daqui resultou uma redução substancial de efectivos.

São criadas as companhias de caçadores especiais.

Iniciou-se em Angola a subversão activa, na Baixa do Cassange e em Catete, e que deu origem a algumas prisões.

É proibida a visita a Angola de jornalistas metropolitanos e estrangeiros.

Reunião da UAM-Chefes de Estado, em Brazaville.

No ano de 1959

A evolução da situação em África e as repercussões sobre o Ultramar levam: Ao estudo e criação de um novo tipo de Unidades – Unidades de Choque; – e de novas tácticas – Acção de quadrícula e de intervenção.

Henrique Galvão evade-se do Hospital de Santa Maria (alguns meses depois Galvão aparece na Embaixada da Argentina com asilo político dado pelo Embaixador Pablo Mairal).

Planeiam-se as forças destinadas ao SACEUR, à defesa da Península e para satisfazer necessidades nacionais.
− Para a Metrópole: defesa interna; defesa anti-aérea; e defesa de costa.
− Para o Ultramar: Angola, Moçambique e restantes províncias.
− Uma reserva geral.

É nomeada uma comissão para estudar as condições particulares que envolvem a segurança dos vários territórios da Nação Portuguesa, quer metropolitanos, quer – e sobretudo – ultramarinos para estudar a criação de unidades especiais de utilização imediata.

Portugal começa a deparar com sérias dificuldades em Roma, quanto à política de África.

Começa a considerar-se para efeitos de planeamento e estudo a “subversão que, provocada e apoiada do exterior, ameaça toda a África.

Conspiração militar em Portugal – 9 oficiais (capitães e majores) e o civil Manuel Serra – em que se fala no nome do General Lopes da Silva (ex-Secretário de Estado da Guerra em 1947 e Presidente do STM), na simpatia do Marechal Craveiro Lopes – em ligação com o Capitão Almeida Santos – o que motiva a conspiração – preocupações com os problemas ultramarinos e com a situação interna; discordância em relação à atitude do Governo relativamente aos casos Humberto Delgado e Henrique Galvão.

Concentração na Sé de Lisboa dos conspiradores e a sua prisão pela PIDE.

Calafate e Serra fogem e pedem asilo à Embaixada da Venezuela.

Nehru declara que não haverá compromisso sobre Goa, que há-de regressar à mãe-pátria.

O Ministro do Exército em mais uma directiva diz: “As condições particulares que presentemente envolvem a segurança dos vários territórios da Nação Portuguesas, quer metropolitanos quer sobretudo ultramarinos, aconselham a urgente disponibilidade de unidades terrestres que pela sua organização, apetrechamento e preparação possam ser empregadas, sem perda de tempo, na execução das operações de tipo especial, previsíveis: Operações de segurança interna, de contra-subversão e de contra-guerrilha” para actuarem em especial na Guiné, Angola e Moçambique e é solicitada à Aeronáutica o plano existente para transportes aéreos militares.

O Ministro do Interior através de “O Século” comunica que por terem participado numa tentativa revolucionária haviam sido presos 22 civis e 9 militares.

Henrique Galvão deixa a Embaixada da Argentina e parte por via aérea para a Argentina.

Salazar dirige-se ao país e afirma: a África “arde porque lhe deitam fogo de fora”… “sem a África, a Europa e o Ocidente não poderão sobreviver”, discurso “Posição Portuguesa e Face da Europa, da América e da África.

Chega a Lisboa Hailé Selassié I. Imperador da Etiópia, a bordo de um navio de guerra português. Selassié recebe a banda das 3 ordens e é investido na dignidade de general honorário do Exército.

Inicia-se uma profunda reorganização do Ministério do Exército, que passa a ter jurisdição em todo o território nacional metropolitano e ultramarino.

Referendo nas Colónias Francesas que deixa isolada a Guiné Conacry, vizinha da Guiné Portuguesa.

Visitas do Secretário de Estado do Exército a Angola, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé, Moçambique e Estado da Índia.

Início da alteração do dispositivo militar em Angola, Moçambique e Guiné.

Carência de verbas para as reestruturações que se impunham nas Forças Armadas.

O MDN lança em 3 tarefas fundamentais:
· Dignificar a condição militar – revogar a lei dos casamentos, criar os SSFA;
· Melhorar o relacionamento das FA com as dos parceiros da OTAN;
· Equacionar e corrigir os problemas de Defesa Nacional na Metrópole e no Ultramar, face às ameaças – guerra fria na Europa e guerra subversiva no Ultramar – reestruturação e instrução especial do Exército e Força Aérea.

Estreitamento de relações com a RFA que além de ajuda financeira, dispõe-se a fornecer material de guerra e manifesta o desejo de construir em Portugal uma base aérea para treino dos seus pilotos.

Criado, por despacho ministerial, o Centro de Instrução de Operações Especiais – CIOE – com a finalidade de preparar tropas para a luta de contra-guerrilha, acção psico-social e operações especiais.

O CIOE forma pessoal para as companhias de Caçadores Especiais.

Na ONU, a 4ª. Comissão faz passar ao plenário da Assembleia-Geral o texto de uma moção anti-portuguesa que o aprova – e são eleitos os países que passam a constituir a Comissão dos seis – EUA, Holanda, Índia, Marrocos, México e Reino Unido.

Em 1959-60, transfere-se o esforço militar da Europa para África e em África, remodela-se o dispositivo, em Angola e em Moçambique, para fazer frente às ameaças que venham dos países que se haviam tornado independentes, e que, anteriormente, estava orientado para a África Inglesa.