
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Luanda
Na noite de 08Jun, o “Niassa” entrou na Baía de Luanda (Porém já onze sóis eram passados …), ficando ao largo; na madrugada de 09 o navio acostou e efectuou-se o desembarque, tendo o Comandante da Região Militar de Angola passado revista à formatura das tropas, iniciando-se de seguida o desfile pela inesquecível “Marginal”, onde a população local se concentrara e prestado uma recepção bastante calorosa às tropas recém-chegadas. De seguida o Batalhão seguiu rumo ao Liceu Feminino (Guiomar de Lencastre) onde ficou instalado.
_
Curiosidade
" Angola:
O nome "Angola" tem raiz no termo "Ngola" que era título de um dos potentados Ambundos que existia no Antigo Reino do Ndongo, entre o Anzele, Ambaca e Pungo Andongo ( nas actuais províncias do Bengo, Kwanza Norte, Kwanza Sul e Malange) no tempo do início da expansão da influência dos portugueses sobre o Antigo Reino de Ndongo, na segunda metade do século XVI.
O termo "Ngola" tem por sua vez raiz no termo "Ngolo", o que em quimbundo (língua do povo Ambundo) significa "força", de acordo com o "Ensaio de Diccionário Kinbundu - Portuguez", preparado por Joaquim Dias Cordeiro da Matta, publicado em Lisboa no ano de 1893. O mesmo termo em quicongo significa "rigor, força, fortaleza, ou robustez". Os Portugueses depreenderam assim que o Ngola era aquele que tinha força, aquele que era poderoso.
-
Luanda:
Escrito com "o" Loanda
Com a reconquista de Angola e a expulsão dos Holandeses de Angola em 1648 pela esquadra luso-brasileira sob o comando de Salvador Correia de Sá e Benevides, o nome da cidade foi mudado para "S. Paulo da Assumpção de Loanda", porque o antigo nome de Loanda tinha muita parecença com "Holanda", e em memória de Nossa Senhora da Assunção, em cujo dia (15 de Agosto de 1648) se restaurou o domínio Português sobre a colónia de Angola, é hoje feriado municipal.
Só em Abril de 1927 é que "Loanda" passou a "Luanda".
(Do Blog de Helder Ponte "Xinguila", conceituado historiador, natural de Angola, a residir no Canadá) "
Navio Mercante "Niassa"

O N/M Niassa saiu do Cais de Alcântara a abarrotar. Carregou militares até não poder levar mais.
Transportou:
O Batalhão de Caçadores 114 (Companhias CCS, 115, 116 e 117);
Os Batalhões de Caçadores 155 e 156 (e respectivas Companhias)
A Companhia (Esq.) de Cavalaria 121;
2 Pelotões de Morteiros Pesados;
Outras unidades de menor expressão.
Transportou:
O Batalhão de Caçadores 114 (Companhias CCS, 115, 116 e 117);
Os Batalhões de Caçadores 155 e 156 (e respectivas Companhias)
A Companhia (Esq.) de Cavalaria 121;
2 Pelotões de Morteiros Pesados;
Outras unidades de menor expressão.
Partida para Angola (28Mai61)
O dia da partida de Lisboa rumo a Angola, foi a 28Mai1961 e a viagem no Navio Mercante "Niassa"; após os primeiros momentos a bordo, constatou-se que os alojamentos eram insuficientes e maus, nomeadamente do ponto de vista higiénico; a viagem foi praticamente de enjoos durante os quase 12 dias de viagem.
As causas dos enjoos:
Todos nós sabemos que no fundo do ouvido encontra-se um órgão minúsculo que nos dá o sentido do equilíbrio.
A bordo de um navio sacudido pelas ondas, esse órgão fatiga-se e os passageiros experimentam uma espécie de vertigem e enjoo causados pela falta de equilíbrio... e também de inquietação.
No mar essas causas são complexas, mas provêm principalmente de uma irritação anormal do ouvido interno - falta de equilíbrio -, associada aos puxões das vísceras ocasionalmente pelo balançar do navio. Finalmente, o desregramento dos reflexos é tanto mais intenso quanto mais os elementos do psiquismo actuam.
Se o N/M "Niassa" era um cargueiro adaptado a camaratas transportando mais de dois mil militares nos seus porões, é sabido de antemão que alguma coisa não iria bater certo.
Senão vejamos:
O "restaurante" era ao ar livre, sem mesas nem cadeiras. Entregaram "à soldadesca" um prato e um talher, para toda a viagem, e à hora das refeições alguém trazia uma terrina com comida mal confeccionada. Uma secção, sentava-se no chão, à volta da terrina e tentava enganar o estômago. Posteriormente ainda tinha que lavar o prato, só que nem sempre com água doce porque essa escaceava, inclusive, para tomar banho.
Nos porões onde estavam instalados os beliches e nas casas de banho o cheiro nauseabundo devido à vaga de sensação de desconforto e das vomições era insuportável, as temperaturas eram muito elevadas e o espaço era de uma exiguidade inexplicável.
Mais palavras para quê?
Nem sequer vale a pena falar de inquietação, psiquismo, etc. para justificar o motivo dos enjoos que afectou "todo o mundo".
Curto período de férias
Posteriormente seguiu-se um curto período de férias destinado a licença para deslocação a casa e, obviamente, fazer a despedida da família para um período de 2 anos para aqueles que tivessem a sorte de regressar.
Episódio avulso, que escrevi para a “história” da Companhia, que está a ser preparada pelo meu amigo António Nobre de Campos (NOCA), ex-Alferes Miliciano:
“Ida de férias
A preparação, formação e instrução da CC115, demorou apenas uns escassos dias antes da partida para Angola.
Com o passaporte de férias e a guia de transporte dos Caminhos de Ferro nas mãos de cada um dos militares, não havia tempo a perder em direcção à terra da sua naturalidade. Nem sequer foi necessário dar a ordem de: “aos seus destinos… marche!!!”.
O grupo de alentejanos, que espontaneamente se formou e onde eu também me incluía, seguiu de comboio de Mafra até Lisboa (Rossio). Ao chegar a Lisboa, já de noite, dirigiu-se à Estação Fluvial do Terreiro do Paço, a fim de fazer a travessia, de barco, para o Barreiro donde seguiria para Beja. Só que, a estação estava a encerrar naquele preciso momento.
Muito embora no verso do Bilhete de Identidade Militar constasse: “…não pode vaguear pelas ruas depois do recolher; não deve frequentar bairros ou locais que pela sua natureza e costumes possam prejudicar os seus brio e decoro militares…”, o estatuto de mobilizado já permitia andar por ali sem que a Polícia Militar chateasse…
Decisão do grupo: “deixar as maletas de cartão numa dependência do cais e ir dar uma volta!...” Escusado será dizer que o grupo apontou em direcção ao Bairro Alto, mais tarde ao Martim Moniz, direccionou nos sentidos Intendente e Mouraria; enfim, passou por todo o lado onde havia casas de diversão nocturna que, diga-se de passagem, eram às dezenas nesse tempo, até porque estávamos no início do ano de 1961 e essas tais casas de divertimento diurno/nocturno… viriam somente a encerrar no final do ano de 1962. Em suma: O grupo deambulou por todo o Bairro Alto, desceu até à zona da Mouraria e suas imediações e andou por ali até altas horas da madrugada, isto é, até ao encerramento das casas, creio que até às cinco horas da madrugada; entretanto, dado o avançado da hora, as pensões e afins tinham também encerrado. Sim senhor! E agora? Onde é que o grupo iria descansar por algum tempo? Interrogávamo-nos!
Eu, que conhecia perfeitamente aquela zona, por ter frequentado a recruta ali perto, no Batalhão de Telegrafistas, sabia de uma escadaria de madeira no interior de um prédio habitado, o nº. 8, ao lado da actual Casa dos Bicos, no Largo do Terreiro do Trigo, que não tinha portão de entrada, nem de saída, subia-se até um 3º ou 4º. Andar e dali dava acesso directo a uma rua a meio da encosta do Castelo de S. Jorge, o que facilitava os soldados na ida para o quartel sem terem necessidade de ir dar uma volta tão grande!.. para contornar todo aquele casario.
A decisão estava tomada. Seria mesmo ali que iríamos aguardar que a estação abrisse, até porque aquele local, embora não fosse iluminado, situava-se a uns escassos 100 metros da estação onde tínhamos deixado as malas.
Entramos, sentámo-nos nos degraus da escada, encostámo-nos uns aos outros e toca a dormitar… De quando em vez, éramos acordados pelos residentes do prédio que entravam ou saíam de suas casas; mas nós um pouco estremunhados lá facilitávamos a passagem às pessoas que, diga-se em abono da verdade, até foram extremamente simpáticas para connosco. Todavia não há bela sem senão; acordávamos frequentemente cheios de frio devido à passagem de uma grande corrente de ar que ali se fazia sentir, o que teve na origem de umas belas constipações, como é óbvio. Chegada a hora de abertura da bilheteira, lá vai o grupo, às tossidelas, receber as maletas e seguir em direcção ao seu Alentejo.
Até dava para cantarolar:
O Alentejo é que é, o celeiro da Nação; nós somos alentejanos, somos da terra do pão.
Também não faltou: “Eu ouvi o passarinho”, e, lá vai ele!...
I (VIII)
Alentejo quando canta,
Tem tudo à base da solidão;
Traz um nó na garganta,
E um sonho no coração.
II (V, XI)
Eu ouvi o passarinho,
Às quatro da madrugada;
Cantando lindas cantigas,
À porta da sua amada.
III (VI, IX, XII, XIII, XIV)
Por ouvir cantar tão bem,
A sua amada chorou;
Às quatro da madrugada,
O passarinho cantou.
IV (X)
Alentejo terra rasa,
Toda coberta de pão;
As tuas espigas doiradas,
Lembram mãos em oração.
Manuel Valadas Horta
Ex. 1º. Cabo radiotelegrafista”
Episódio avulso, que escrevi para a “história” da Companhia, que está a ser preparada pelo meu amigo António Nobre de Campos (NOCA), ex-Alferes Miliciano:
“Ida de férias
A preparação, formação e instrução da CC115, demorou apenas uns escassos dias antes da partida para Angola.
Com o passaporte de férias e a guia de transporte dos Caminhos de Ferro nas mãos de cada um dos militares, não havia tempo a perder em direcção à terra da sua naturalidade. Nem sequer foi necessário dar a ordem de: “aos seus destinos… marche!!!”.
O grupo de alentejanos, que espontaneamente se formou e onde eu também me incluía, seguiu de comboio de Mafra até Lisboa (Rossio). Ao chegar a Lisboa, já de noite, dirigiu-se à Estação Fluvial do Terreiro do Paço, a fim de fazer a travessia, de barco, para o Barreiro donde seguiria para Beja. Só que, a estação estava a encerrar naquele preciso momento.
Muito embora no verso do Bilhete de Identidade Militar constasse: “…não pode vaguear pelas ruas depois do recolher; não deve frequentar bairros ou locais que pela sua natureza e costumes possam prejudicar os seus brio e decoro militares…”, o estatuto de mobilizado já permitia andar por ali sem que a Polícia Militar chateasse…
Decisão do grupo: “deixar as maletas de cartão numa dependência do cais e ir dar uma volta!...” Escusado será dizer que o grupo apontou em direcção ao Bairro Alto, mais tarde ao Martim Moniz, direccionou nos sentidos Intendente e Mouraria; enfim, passou por todo o lado onde havia casas de diversão nocturna que, diga-se de passagem, eram às dezenas nesse tempo, até porque estávamos no início do ano de 1961 e essas tais casas de divertimento diurno/nocturno… viriam somente a encerrar no final do ano de 1962. Em suma: O grupo deambulou por todo o Bairro Alto, desceu até à zona da Mouraria e suas imediações e andou por ali até altas horas da madrugada, isto é, até ao encerramento das casas, creio que até às cinco horas da madrugada; entretanto, dado o avançado da hora, as pensões e afins tinham também encerrado. Sim senhor! E agora? Onde é que o grupo iria descansar por algum tempo? Interrogávamo-nos!
Eu, que conhecia perfeitamente aquela zona, por ter frequentado a recruta ali perto, no Batalhão de Telegrafistas, sabia de uma escadaria de madeira no interior de um prédio habitado, o nº. 8, ao lado da actual Casa dos Bicos, no Largo do Terreiro do Trigo, que não tinha portão de entrada, nem de saída, subia-se até um 3º ou 4º. Andar e dali dava acesso directo a uma rua a meio da encosta do Castelo de S. Jorge, o que facilitava os soldados na ida para o quartel sem terem necessidade de ir dar uma volta tão grande!.. para contornar todo aquele casario.
A decisão estava tomada. Seria mesmo ali que iríamos aguardar que a estação abrisse, até porque aquele local, embora não fosse iluminado, situava-se a uns escassos 100 metros da estação onde tínhamos deixado as malas.
Entramos, sentámo-nos nos degraus da escada, encostámo-nos uns aos outros e toca a dormitar… De quando em vez, éramos acordados pelos residentes do prédio que entravam ou saíam de suas casas; mas nós um pouco estremunhados lá facilitávamos a passagem às pessoas que, diga-se em abono da verdade, até foram extremamente simpáticas para connosco. Todavia não há bela sem senão; acordávamos frequentemente cheios de frio devido à passagem de uma grande corrente de ar que ali se fazia sentir, o que teve na origem de umas belas constipações, como é óbvio. Chegada a hora de abertura da bilheteira, lá vai o grupo, às tossidelas, receber as maletas e seguir em direcção ao seu Alentejo.
Até dava para cantarolar:
O Alentejo é que é, o celeiro da Nação; nós somos alentejanos, somos da terra do pão.
Também não faltou: “Eu ouvi o passarinho”, e, lá vai ele!...
I (VIII)
Alentejo quando canta,
Tem tudo à base da solidão;
Traz um nó na garganta,
E um sonho no coração.
II (V, XI)
Eu ouvi o passarinho,
Às quatro da madrugada;
Cantando lindas cantigas,
À porta da sua amada.
III (VI, IX, XII, XIII, XIV)
Por ouvir cantar tão bem,
A sua amada chorou;
Às quatro da madrugada,
O passarinho cantou.
IV (X)
Alentejo terra rasa,
Toda coberta de pão;
As tuas espigas doiradas,
Lembram mãos em oração.
Manuel Valadas Horta
Ex. 1º. Cabo radiotelegrafista”
Subscrever:
Mensagens (Atom)

