quarta-feira, 9 de abril de 2008

Partida para Angola (28Mai61)

O dia da partida de Lisboa rumo a Angola, foi a 28Mai1961 e a viagem no Navio Mercante "Niassa"; após os primeiros momentos a bordo, constatou-se que os alojamentos eram insuficientes e maus, nomeadamente do ponto de vista higiénico; a viagem foi praticamente de enjoos durante os quase 12 dias de viagem.
As causas dos enjoos:
Todos nós sabemos que no fundo do ouvido encontra-se um órgão minúsculo que nos dá o sentido do equilíbrio.
A bordo de um navio sacudido pelas ondas, esse órgão fatiga-se e os passageiros experimentam uma espécie de vertigem e enjoo causados pela falta de equilíbrio... e também de inquietação.
No mar essas causas são complexas, mas provêm principalmente de uma irritação anormal do ouvido interno - falta de equilíbrio -, associada aos puxões das vísceras ocasionalmente pelo balançar do navio. Finalmente, o desregramento dos reflexos é tanto mais intenso quanto mais os elementos do psiquismo actuam.
Se o N/M "Niassa" era um cargueiro adaptado a camaratas transportando mais de dois mil militares nos seus porões, é sabido de antemão que alguma coisa não iria bater certo.
Senão vejamos:
O "restaurante" era ao ar livre, sem mesas nem cadeiras. Entregaram "à soldadesca" um prato e um talher, para toda a viagem, e à hora das refeições alguém trazia uma terrina com comida mal confeccionada. Uma secção, sentava-se no chão, à volta da terrina e tentava enganar o estômago. Posteriormente ainda tinha que lavar o prato, só que nem sempre com água doce porque essa escaceava, inclusive, para tomar banho.
Nos porões onde estavam instalados os beliches e nas casas de banho o cheiro nauseabundo devido à vaga de sensação de desconforto e das vomições era insuportável, as temperaturas eram muito elevadas e o espaço era de uma exiguidade inexplicável.
Mais palavras para quê?
Nem sequer vale a pena falar de inquietação, psiquismo, etc. para justificar o motivo dos enjoos que afectou "todo o mundo".

1 comentário:

Manuel Amaral disse...

Eu também lá estava.Eu também enjoei.Eu também pensei que era uma viagem sem regresso.E,engraçado,para mim foi.A minha CC 117,embarcou no Vera Cruz,no Lobito,e por lá fiquei.Mas relembro essa viagem.Hoje podemos dizer saudosa,mas não muito. Os meus cumprimentos.