quarta-feira, 9 de abril de 2008

Abril de 1961

Abr1961 − O que os Órgãos de Comunicação Social normalmente noticiavam:

“Os guerrilheiros da UPA, chefiados por Holden Roberto, que em 15 de Março de 1961, iniciaram as suas hostilidades e que sempre reclamaram a vitória da barbárie, actuavam aos gritos de UPA, UPA, mata, mata. Com catanas e canhangulos que carregavam à base de fósforos que adquiriam em grandes quantidades, desfaziam, misturavam com pólvora, enchiam os pipos dos próprios canhangulos e progrediam numa acção devastadora e a uma velocidade vertiginosa.
Neste cenário cruel, apareceram homens degolados, cabeças espetadas em estacas, mulheres esventradas com paus aguçados cravados no sexo e crianças esquartejadas ainda nos berços.
Em pouco tempo a UPA ocupa a grande parte do Norte de Angola sem a protecção da tropa local. O rasto de sangue estendia-se quase até Luanda.
Em Nambuangongo não sobreviveu ninguém e aquela zona foi passada a pente fino pela guerrilha.
Em Luanda, foram dados os primeiros passos no sentido de fazer face ao que se estava a passar, procedera-se à formação de alguns grupos de civis que se juntaram aos cerca de 1 500 efectivos militares mal preparados, para ajudar na defesa das fazendas e das vilas cercadas pelos rebeldes e na procura de sobreviventes.
Pelas picadas assistia-se a cenários de terror, de destruição de roças e de assassinatos de cerca de dois milhares de colonos.”


Perante este espectro de guerra e, ainda no último terço do mês de Abril, quando os soldados idos da Metrópole desembarcaram em Luanda, ainda havia vilas inteiras cercadas e já quase sem abastecimentos. Eram os civis que faziam a sua auto defesa. Quando o exército começou a avançar, para reocupar as zonas ocupadas, a frente era tão grande que não sabia para onde se virar; em Nambuangongo o exército só desocupou aquela área passados quase 6 meses.
Por cá contavam-nos histórias horripilantes do que estava a acontecer no Norte de Angola.

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