quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ainda há quem se lembre dos ex-combatentes!

O Jornal “Correio da Manhã”, de 9/4/2008, publicou um artigo relacionado com os ex-combatentes, título “Deixar para trás” – “ao SABOR do VENTO”, da autoria do gestor Rui Marques, que tocou num dos pontos mais sensíveis da actualidade “os ex-combatentes”, que transcrevo:

“AQUELES QUE COMBATERAM NAS GUERRAS COLONIAIS FIZERAM-NO AO SERVIÇO DO SEU PAÍS. NÃO PODEM SER ABANDONADOS À SUA SORTE.

Sou de uma geração que já não viveu a Guerra Colonial. Não tenho, por um lado, experiências traumáticas de familiares que por terras de África tivessem perecido nem, por outro lado, à minha volta se viveram radicalismos ideológicos de qualquer cor, na discussão sobre as razões de ser desse tempo. Talvez por isso, beneficio – creio – de alguma distância crítica em relação ao tema dos ex-combatentes e, porventura, um olhar desapaixonado que permite maior objectividade.
E que se vê desse posto de observação? Acima de tudo, descobre-se esquecimento que é das formas mais duras da injustiça. Emerge, então, uma sensação de desconforto pela forma como, enquanto comunidade e País, nos portámos em relação a estes homens. Chega mesmo a tocar a vergonha.
Muitos dos ex-combatentes e suas famílias pagam ainda hoje uma factura muito elevada, no corpo e na mente, em consequência dessa experiência difícil. Os fantasmas da guerra não os deixam descansar. E enquanto sofrem o peso dessa herança, não sentem dos seus compatriotas e do Estado que serviram um reconhecimento suficientemente condigno, sem aproveitamento ideológico, com o respeito que merecem.
E onde radica parte dessa falta de respeito? Em grande medida, na confusão lamentável entre o julgamento ideológico de um regime político e a condenação ao esquecimento dos que, sem dolo, serviram debaixo de uma bandeira. Não há erro maior.
Quem combateu nas ex-colónias portuguesas – na sua esmagadora maioria – não o fez de livre vontade. À alternativa da deserção, muitos entenderam dizer não, por considerarem ser uma traição aos seus. Outros, mais prosaicamente, não conseguiram partir para o exílio a tempo. Restou-lhe então receber a guia de marcha e partir para o mato, passando a experimentar “aquele inferno de matar ou morrer”.
Aqueles que combateram nas guerras coloniais fizeram-no ao serviço do seu País, com maior ou menor convicção, executando uma política da qual não eram autores nem co-responsáveis. Não será necessário recordar que não vivíamos em democracia e a formulação da decisão política não resultava da voz do povo. Salvo eventuais autores de crimes de guerra, cometidos nesses anos, e que mereceriam o julgamento que a própria disciplina militar prevê, os ex-combatentes são, acima de tudo, cidadãos portugueses que obedeceram, com risco de vida, a um desígnio político do regime vigente. Foram servidores do País e assim devem ser tratados. Sem subterfúgios, nem equívocos.
O gesto de reconhecimento aos ex-combatentes não equivale, como alguns gostariam, a branquear os erros do regime anterior, a apelar a um saudosismo bacoco ou a ir mais longe para territórios racistas e neo-colonialistas. Nada disso. Trata-se somente de não abandonar os nossos homens, sobretudo depois do combate. De não os deixar desaparecer na névoa do esquecimento. Um povo digno não os deixaria para trás.”


O meu comentário:
Não resisti!
Publiquei o artigo na íntegra.
Nada mais a propósito.
Que mais poderei dizer?
Dizer, talvez, BEM-HAJA Senhor Jornalista. Ainda há quem tão abnegadamente defenda os desamparados ex-combatentes. Nós sabemos que os velhos combatentes constituem para a sociedade em geral um peso ou qualquer coisa que já não rende, pouco vale e relativamente quase não interessa, salvo, claro está, em determinados momentos da vida nacional (períodos eleitorais). Alheiam-se deles as próprias estruturas a que pertenceram e, com o tempo, a doença pós-traumática, a inflação, etc., leva-os à míngua, olvidado também por outras instituições.


Curiosamente, o mesmo Jornal, “Correio da Manhã”, numa das suas edições de 2007 (que já não sei precisar o dia), referia:

“Se servistes a Pátria e ela vos
foi ingrata, vós fizestes o que
devíeis, e ela o que costuma”.

3 comentários:

NOCA disse...

Bom artigo do Empresário Rui Marques, oportunamente transcrito para este blog pelo seu autor.
Parabéns ao Valadas Horta pelo trabalho que aqui está a fazer.
Gostei de visitar e fiquei boqueaberto pela variedade e quantidade de matéria apresentada.
Uma óptima contribuição para que muitos assuntos não caiam no esquecimento e perdurem pelo tempo.
Parabéns mais uma vez VALHOR!

ANTONIO REIS JESUS disse...

SR.RUI MARQUES COMO JORNALISTA OS MEUS PARABENS SOBRE OS EX COMBATENTES MAS OS MORTOS QUE TOMBARAM AO SERVIÇO DESTA PATRIA AINDA NAO OS DEVOLVEU AOS SEUS FAMILIARES COMO E O SEU DEVER POES JURAMOS A BANDEIRA EM SUA DEFESA E A PATRIA TINHA ESSA OBRIGAÇAO.ALGUEM DISSE HONRAI A PATRIA QUE A PATRIA VOS COMTENPLA.
AGORA QUE A PATRIA NOS COTEMPLE
O MENINO JESUS CCS1556/65

ANTONIO REIS JESUS disse...

SR.RUI MARQUES COMO JORNALISTA OS MEUS PARABENS SOBRE OS EX COMBATENTES MAS OS MORTOS QUE TOMBARAM AO SERVIÇO DESTA PATRIA AINDA NAO OS DEVOLVEU AOS SEUS FAMILIARES COMO E O SEU DEVER POES JURAMOS A BANDEIRA EM SUA DEFESA E A PATRIA TINHA ESSA OBRIGAÇAO.ALGUEM DISSE HONRAI A PATRIA QUE A PATRIA VOS COMTENPLA.
AGORA QUE A PATRIA NOS COTEMPLE
O MENINO JESUS CCS1556/65